Desprogramação

A utilização de IA impacta negativamente a sua cognição, queira você ou não.


Eu não sou aquele usuário exemplar de IA que acompanha fielmente cada atualização. Acho que isso requer uma energia e uma empolgação equivalentes às de quem acompanhava cada novo lançamento de um framework JavaScript.

Porém, sempre fico de olho nas ferramentas mais famosas ou que impactam mais o mercado, como os modelos Opus, Sonnet e, atualmente, o Fable.

Desde o início da popularização do ChatGPT, quando o testei na geração de código para auxiliar na correção de bugs, passei a pensar que o desenvolvimento de software nunca mais seria o mesmo.

E eu não poderia estar mais certo (infelizmente e felizmente ao mesmo tempo.)

Não adianta a maioria dizer que “usar a IA de maneira consciente é o caminho”. Isso soa apenas como uma tentativa de minimizar problemas reais, mesmo quando o uso é para uma tarefa simples. Delegar funções para a IA tornará você menos capaz de realizar aquela mesma tarefa sozinho a médio e longo prazo. Isso não é especulação; é um fato biológico. Nosso cérebro é uma máquina de entender, praticar e aprender.

Se você passar muito tempo sem escrever à mão algo que fez durante anos no colégio, perceberá uma certa estranheza ao pegar em uma caneta e notará uma piora na caligrafia. O motivo é simples: seu cérebro, mesmo que momentaneamente, desaprendeu a executar algo que antes era natural.

O nome disso é poda sináptica, a forma do cerébro de aparar conexões não utilizadas para que outras importantes possam ficar mais fortes no momento. E isso ocorre durante toda a vida, mesmo que mais presente na infância á adolescência.

Por que com o código seria diferente?

Isso não é uma campanha contra o uso da inteligência artificial. Afinal, todos sabemos que é um caminho sem volta. Mas gosto de fazer questionamentos, Profissionalmente você se sente satisfeito ao ser um programador mesmo quando não precisa programar nenhuma linha durante muito tempo?